É complicado. O ser humano a passos lentos foi largando a barbárie rumo a um processo civilizatório. Passamos por períodos terríveis, ditaduras, e muitos lutaram e morreram pra garantir direitos, até mesmo para umas antas dessas.
É característico dos entusiastas da ditadura flertarem com violência e banalizarem a morte, e até mesmo é justificado o desejo de entregar o governo e as decisões para um ditador, ou um único grupo, pois quem nunca participou das decisões democráticas do país não sentiria falta das mesmas se esse direito lhes for tomado. É até um favor pra essa gentalha, pois aí não precisariam deliberar e participar de fato. É uma responsabilidade a menos.
É uma pena que vemos dessas cenas. Creio que no caso de um novo golpe - o que acho que não combina com a estrutura social internacional atual - é claro que a resistência se fará presente. Tolo aquele que pensa que deixaremos fascistas tomarem conta das decisões políticas, da juventude, da cultura, e da educação.
Em direito adquirido não se toca, e com a democracia não é diferente.
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Labi lasīt
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terça-feira, 8 de setembro de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Partidos políticos nos movimentos?


A falsa ideia de que a ausência de partidos políticos em movimentos sociais é democracia pura, ou intervenção da população na política já nos trouxe um cenário bem desagradável no passado. Novamente quando acontece o semelhante, a história se encaminha para o mesmo lado. É o primeiro passo para a desorganização, seguida de ódio, caos, bagunça, violência gratuita e então uma desculpa perfeita para a intervenção. Cuidado: partido não deve ser o princípio da luta, mas a luta sem o partido torna-se irracional.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Democracia e intervenção
“O grande problema do nosso
sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas
democraticamente;”
José Saramago, El Correo de Andalucía, Sevilla, 11 de Março
de 2003;
Democracia
e intervenção. São assuntos sérios a se discutir nesse momento histórico pelo
qual o país está passando; nesse momento onde todos resolveram exercer o papel
de cidadão e levantar de suas poltronas que já não os aguentavam mais. Simplesmente
parece que o povo ficou um tanto quanto empolgado com aquelas frases como: “O
gigante acordou”, ou sensibilizados com o convite “Vem pra rua” após as
manifestações de 2013. Empolgados a ponto de exacerbar seus direitos que
repousavam por anos e sensibilizados a ponto de correr às ruas, desesperados,
vomitando suas mágoas e seu mal-estar social, que aflige o brasileiro há muito
tempo.
Surpreende
ao mesmo tempo em que emociona ver uma nação unida, saindo às ruas, gritando em
uníssono e enfrentando quem se puser no caminho de sua luta e de seus direitos
democráticos, porém assusta e oprime compreender o rumo que essas manifestações
tomaram após as últimas eleições. A internet e as redes sociais nos mostram,
com diversos exemplos, a contradição que transitou nesse domingo do dia 15 de
março.
Não
foram poucos os casos em que militantes de esquerda foram hostilizados, mesmo
querendo fazer sua crítica ao governo. Tampouco os casos de bandeiras
representando e fazendo apologia ao nazismo. Enquanto o povo fazia sua
manifestação apoiando-se na democracia e no direito para tal, uma parcela
considerável pedia intervenção militar, “socorro ao exército”, e a volta da
ditadura. Frente a isso, as conclusões e resultados não podem ser positivos.
É
compreensível que o cidadão esteja farto da situação política do país. O povo
já criou um estereótipo sobre o “político” que permeia o senso comum. Essa
visão acerca do político – às vezes precipitada – carrega consigo as angústias
do povo quanto ao roubo, corrupção, descaso e até desdém daqueles
representantes eleitos. Ou seja, há um mal-estar social quase que generalizado
sobre o brasileiro. O grande problema aparece no momento em que essas
manifestações expressam um ódio que há muito tempo não era visto na sociedade;
um ódio partidário; um ódio que oprime e exclui.
É incabível em nossa
sociedade atual utilizar a democracia para atentar contra a própria. Para tudo
há um limite. Para quem vive em sociedade, em um Estado democrático, não é
diferente. Nas teorias de Estado mais primordiais consta, a grosso modo, que
nesse momento de equilíbrio e de mediação que é o Estado, há a colaboração de
todos para um bem maior; que todo o cidadão sai de seu “estado de selvagem”
para um estado civilizado no momento em que deposita e abre mão de uma parte de
seus direitos e de sua liberdade para conviver em um todo harmônico.
Democracia não significa
ausência de leis, nem de limites. O cidadão deve agir de acordo com o sistema
que defende, para assim poder defendê-lo. No caso: a democracia. O que falta é
a capacidade do povo de intervir na política do país e criar esse hábito. Não
esperar o mal-estar social se generalizar e pedir intervenção militar. É o
cidadão que deve intervir dentro de um Estado democrático, para que haja então,
uma verdadeira democracia, e não uma plutocracia.
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