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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Valores

Não tem como falar em desenvolvimento econômico e economia mundial antes de falar de seres humanos. Não há como considerar a importância do aumento do lucro e crescimento econômico ignorando as condições de vida das pessoas do mundo todo. Desde quando status financeiros são mais importantes que COMER, ou VIVER decentemente?

O que me importa um PIB quando tem um monte de criança na rua, sem família, sem abrigo e sem proteção, entrando pro mundo do crime, sendo apenas notadas pelos seus atos que, na verdade, são consequência de todo um processo de marginalização e cegueira da sociedade?

Como diabos alguém vai querer dizer que todos temos as mesmas oportunidades, e que "basta trabalhar mais" para crescer na vida, se nossos próprios tênis foram feitos por uma criança que ganha menos de 30 dólares por mês, trabalhando em condições desumanas? Olhe para você.

Me desculpa você que discorda, mas eu não vejo felicidade nas ruas. Eu vejo insegurança, pressa, medo, mais pressa, um carro que me derruba da minha moto porque o trânsito (DE IJUÍ) ta ficando caótico, e no fundo, bem no fundo, um desejo por felicidade, que parece ficar cada vez mais distante de todos nós. Mas é claro que vai ter alguém pra dizer que tem um jeitinho de conseguir a felicidade: comprando aquele carro novo pra olharem com inveja pra você, ou aquele apartamento maior.

Olhe ao seu redor, olhe o que você tem. Você precisa de tudo isso?

Não. Realmente esse não é o sistema nem a vida que eu quero.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Apressados momentos do tempo de hoje

     Esse é o tempo em que vivemos. Não mais o mesmo tempo de antes, não mais linear, nem mesmo cíclico. Ao contrário de um traçado contínuo, nossas vidas vem e vão sobre um tempo pontilhado, que passam tão rápido por nós, cada um desses pontos, como se fosse um borrão.

"... a vida "agorista" tende a ser "apressada". A oportunidade que cada ponto pode conter vai segui-lo até o túmulo; para aquela oportunidade única não haverá "segunda chance".[...] A demora é o serial killer das oportunidades". (Zygmunt Bauman)


     Antes se tratava de satisfação de necessidades; agora vivemos sob o ímpeto consumista de "adquirir e juntar", "descartar e substituir". 
     O consumo sempre esteve presente na história da humanidade, ele é essencial mesmo para nossa sobrevivência, porém algo mudou: A nossa vida está para o consumo, o que o consumo está para nossa vida.
Imagem disponível em: http://matheusilustra.blogspot.com.br/2011_07_01_archive.html

   
"Na sociedade de produtores, a advertência que provavelmente se ouvia depois de um falso começo ou uma tentativa fracassada era "tente outra vez...", mas não na sociedade de consumidores. Aqui as ferramentas que falharam devem ser abandonadas, e não afiadas para serem utilizadas de novo..."
(Bauman)

     Dessa vez devemos nos apressar, pois essa oportunidade já se foi. Vamos deixar pra trás e tentar algo novo. E isso, meu amigo, se aplica a tudo. Tudo agora é obsoleto, pois foi criado para assim ser. Tudo é descartável. Acostume-se com isso.

"Assim, quando os objetos dos desejos de ontem e os antigos investimentos da esperança quebram a promessa e deixam de proporcionar a esperada satisfação instantânea e completa, eles devem ser abandonados - junto com os relacionamentos que proporcionara um "bang" não tão "big" quanto se esperava."
(Bauman)

terça-feira, 25 de junho de 2013

A Era das "Coisas"


O consumismo está tão impregnado na mentalidade da nossa sociedade, que nem ao menos nos damos conta, da real necessidade do consumo para nossa sobrevivência. Segundo Bauman (2008) “o consumo é uma condição, e um aspecto, permanente e irremovível, sem limites temporais ou históricos; um elemento inseparável da sobrevivência biológica que nós humanos compartilhamos com todos os outros organismos vivos.” (p.37), ou seja, o consumo é trivial para nossa própria existência. O problema não se encontra no consumo em si, e sim no habito compulsivo de comprar por comprar, sem atribuir um verdadeiro significado àquilo que se compra, tornando o ato de comprar, uma prática central na vida do homem. Na maioria das vezes até aplicamos àquele produto um valor idílico, sem perceber a real utilidade do que estamos comprando. Um carro é um veículo, um meio de transporte e não nego sua importância, no entanto, esse mesmo veículo, hoje em dia, tem “incorporado” uma grande importância na sociedade; atingindo um valor quase que surreal. Um homem, na nossa sociedade ocidental, pós-moderna, não se torna um homem por completo até adquirir seu carro. Deve, pelo menos, dirigir um, seja seu ou da família. Isso não tem nada de novo no tocante às coisas atingirem um valor monstruoso perante seu valor de uso. Karl Marx, em “O capital” explica esse fenômeno como “Fetichismo da Mercadoria”.
O grande problema é que nos encontramos em um momento histórico de incerteza e insegurança. Alguns estudiosos definem como um período em que perdemos as maneiras de viver e nos organizar como sociedade que tínhamos no passado, mas ainda não encontramos um novo meio. Desde o declínio do modo fordista-keynesiano de regulamentação vivemos em um período de incerteza e insegurança, onde nada é feito para durar e a desregulamentação é o objetivo central do sistema econômico. Com o fim do século XX a historia da humanidade chegou a um ponto em que estamos vivendo as consequências de um mundo moldado pela economia e a ciência tecnológica decorrentes do capitalismo. Hobsbawn (1995) afirma que “Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto...” (p. 562).
O consumismo, fenômeno social caracterizado pelo consumo compulsivo, já vem recebendo críticas, tanto no âmbito antropológico, quanto no que diz respeito ao meio-ambiente. Um dos grandes problemas é o fato do homem não identificar-se mais pelo seu trabalho, como um trabalhador, pertencendo à classe proletária e sim pelo que consome. “Você é o que você compra”. Além de perder totalmente a noção de classe e enfraquecer qualquer luta e debates por direitos trabalhistas, trabalhamos sem nos dar conta do que estamos fazendo no mundo de trabalho. Produzimos compulsoriamente, alienados. Isso tudo acarreta em uma angustia, um mal estar social. Esse primeiro problema está proporcionalmente ligado ao segundo, que diz respeito ao consumo desenfreado. Somos encaminhados às compras diariamente através de meios subliminares como propagandas e anúncios, utilizando de termos imperativos como “compre, use, vista, parcele...”. Para preencher lacunas em nossas vidas, problemas pessoais e sentimentais, compramos. Essa compra nos leva a perder a noção do que realmente significa o que estamos comprando. A real utilidade de um celular, por exemplo, já está quase extinta, pois não importa para a maioria das pessoas. Cada vez mais, vemos crianças de 10 anos, usando seu Iphone, seu netbook e similares e esse consumo indiscriminado nos remete ao descarte. Para onde vão esses produtos? Produtos esses que são produzidos para não durar, para serem substituídos.
Hoje em dia, posso considerar o lucro como um inimigo da tecnologia, inimigo da tecnologia que nos proporciona o verdadeiro bem estar. Será que certos bens de consumo, como por exemplo, os carros, não poderiam ser desenvolvidos de maneira a propiciar altíssima segurança, e incomparável à que temos hoje? Parece que é muito mais lucrativo distribuir o conhecimento científico tecnológico aos poucos, em espécie de pequenas doses. Uma pequena dose a cada três anos, fazendo uma nova versão de determinado carro. Se eu adquirisse o carro perfeito hoje, porque eu o trocaria daqui a cinco anos? As grandes corporações não estão interessadas em nenhuma questão social, e o Estado, pelo que deixa transparecer, tampouco. Hobsbawn (1995) termina o “O breve século XX” (1914 - 1991) com as seguintes palavras:


“Nosso mundo corre o risco de explosão e implosão. Tem de mudar. [...] Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não poder ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão.” (p. 562)



E aí?Triste né?