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terça-feira, 25 de junho de 2013

A Era das "Coisas"


O consumismo está tão impregnado na mentalidade da nossa sociedade, que nem ao menos nos damos conta, da real necessidade do consumo para nossa sobrevivência. Segundo Bauman (2008) “o consumo é uma condição, e um aspecto, permanente e irremovível, sem limites temporais ou históricos; um elemento inseparável da sobrevivência biológica que nós humanos compartilhamos com todos os outros organismos vivos.” (p.37), ou seja, o consumo é trivial para nossa própria existência. O problema não se encontra no consumo em si, e sim no habito compulsivo de comprar por comprar, sem atribuir um verdadeiro significado àquilo que se compra, tornando o ato de comprar, uma prática central na vida do homem. Na maioria das vezes até aplicamos àquele produto um valor idílico, sem perceber a real utilidade do que estamos comprando. Um carro é um veículo, um meio de transporte e não nego sua importância, no entanto, esse mesmo veículo, hoje em dia, tem “incorporado” uma grande importância na sociedade; atingindo um valor quase que surreal. Um homem, na nossa sociedade ocidental, pós-moderna, não se torna um homem por completo até adquirir seu carro. Deve, pelo menos, dirigir um, seja seu ou da família. Isso não tem nada de novo no tocante às coisas atingirem um valor monstruoso perante seu valor de uso. Karl Marx, em “O capital” explica esse fenômeno como “Fetichismo da Mercadoria”.
O grande problema é que nos encontramos em um momento histórico de incerteza e insegurança. Alguns estudiosos definem como um período em que perdemos as maneiras de viver e nos organizar como sociedade que tínhamos no passado, mas ainda não encontramos um novo meio. Desde o declínio do modo fordista-keynesiano de regulamentação vivemos em um período de incerteza e insegurança, onde nada é feito para durar e a desregulamentação é o objetivo central do sistema econômico. Com o fim do século XX a historia da humanidade chegou a um ponto em que estamos vivendo as consequências de um mundo moldado pela economia e a ciência tecnológica decorrentes do capitalismo. Hobsbawn (1995) afirma que “Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto...” (p. 562).
O consumismo, fenômeno social caracterizado pelo consumo compulsivo, já vem recebendo críticas, tanto no âmbito antropológico, quanto no que diz respeito ao meio-ambiente. Um dos grandes problemas é o fato do homem não identificar-se mais pelo seu trabalho, como um trabalhador, pertencendo à classe proletária e sim pelo que consome. “Você é o que você compra”. Além de perder totalmente a noção de classe e enfraquecer qualquer luta e debates por direitos trabalhistas, trabalhamos sem nos dar conta do que estamos fazendo no mundo de trabalho. Produzimos compulsoriamente, alienados. Isso tudo acarreta em uma angustia, um mal estar social. Esse primeiro problema está proporcionalmente ligado ao segundo, que diz respeito ao consumo desenfreado. Somos encaminhados às compras diariamente através de meios subliminares como propagandas e anúncios, utilizando de termos imperativos como “compre, use, vista, parcele...”. Para preencher lacunas em nossas vidas, problemas pessoais e sentimentais, compramos. Essa compra nos leva a perder a noção do que realmente significa o que estamos comprando. A real utilidade de um celular, por exemplo, já está quase extinta, pois não importa para a maioria das pessoas. Cada vez mais, vemos crianças de 10 anos, usando seu Iphone, seu netbook e similares e esse consumo indiscriminado nos remete ao descarte. Para onde vão esses produtos? Produtos esses que são produzidos para não durar, para serem substituídos.
Hoje em dia, posso considerar o lucro como um inimigo da tecnologia, inimigo da tecnologia que nos proporciona o verdadeiro bem estar. Será que certos bens de consumo, como por exemplo, os carros, não poderiam ser desenvolvidos de maneira a propiciar altíssima segurança, e incomparável à que temos hoje? Parece que é muito mais lucrativo distribuir o conhecimento científico tecnológico aos poucos, em espécie de pequenas doses. Uma pequena dose a cada três anos, fazendo uma nova versão de determinado carro. Se eu adquirisse o carro perfeito hoje, porque eu o trocaria daqui a cinco anos? As grandes corporações não estão interessadas em nenhuma questão social, e o Estado, pelo que deixa transparecer, tampouco. Hobsbawn (1995) termina o “O breve século XX” (1914 - 1991) com as seguintes palavras:


“Nosso mundo corre o risco de explosão e implosão. Tem de mudar. [...] Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não poder ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão.” (p. 562)



E aí?Triste né? 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Teoria do Fetichismo da Mercadoria - Karl Marx

O Fetichismo da Mercadoria
Em primeiro lugar devemos considerar que Karl Marx afirma que o homem, na produção da vida social, política, ideológica e religiosa, contrai as chamadas “relações de produção”. Relações essas que são independentes e correspondem a um nível das forças produtivas materiais. Ou seja, essas forças que representam o trabalho, vão acarretar em relações, que serão a base da estrutura econômica, da superestrutura.
A análise da mercadoria nos mostra que essa é cheia de argúcias teológicas e perspicácias. Complexa. No entanto se pensarmos no aspecto que ela se destina a satisfazer nossas necessidades com suas características, é algo simples. Essas características provêm do trabalho humano. Modificamos tudo a nosso alcance com a finalidade de suprir nossas necessidades.
Por exemplo: a madeira, inicialmente tosca, obra-prima, transforma-se em uma mesa. A madeira é apenas material, intrínseco, simples, mas quando vira uma mesa, aí sim esse objeto atinge um nível superior, vira uma mercadoria. É nesse momento que acontece o fenômeno denominado, por Marx, “Fetichismo da Mercadoria”.
Fetiche, no dicionário tem a seguinte definição: “Objeto a que se atribui poder sobrenatural e a que se presta culto; ídolo etc.” O trabalhador passa então a atribuir um valor simbólico a essa mercadoria, uma importância dada inconscientemente, subjetivamente, sem considerar o real valor da mesma. Ele não se identifica com a mercadoria, não vendo nela o fruto do seu trabalho, nem o verdadeiro “preço” dessa. Esse deveria ser o equivalente ao resultado do trabalho aplicado na mercadoria e não é o que acontece. Então o homem fica alienado à mercadoria, quase como se a mercadoria tivesse poder sobrenatural.
Hoje em dia vivemos em uma sociedade de consumo em que esse fenômeno acontece a toda hora. A mídia praticamente impõe um modo de vida que reproduz o homem como fotocópias do consumidor exemplar.

Gian Ruschel.