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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Contrato Social: Da Escravidão

       Dessa vez Rousseau afirma que "já que nenhum homem tem uma autoridade natural sobre o seu semelhante e já que a força não produz nenhum direito" só as convenções feitas por nós mesmos estabelecem autoridade legítima entre os homens.
       Pois a escravidão não é uma convenção? Sim, mas ela estabelece autoridade legítima? Não. O escravizado está apenas alienado ao senhor, e não é por vontade própria. Que direitos o escravo tem? Quem gostaria de ceder todos seus direitos? Apenas um homem louco se alienaria a outro. Então Rousseau afirma: "a loucura não constitui direito".
       Também é questionado o estado de guerra de um governo. Não seria legítimo em tempos de guerra fazer escravos? Na verdade, a guerra põe os homens como inimigos, mas eles só são inimigos por acidente. Não como homens, e sim como soldados. Então o Estado não pode ter como inimigo outros homens, e sim só outro estado, pois "coisas de naturezas diversas" não podem ter relações de poder legítimas entre elas. A escravidão não é legítima. As Américas vão levar um tempo para descobrir isso.

O Contrato Social: Do direito do mais forte

"O mais forte nunca é  bastante forte
para ser sempre o senhor
se não transformar sua força em direito
e a obediência em dever"
                                                                                          
 (Rousseau)


                   Rousseau é genial ao destruir a teoria do "direito do mais forte". Nesse escrito que foi derradeiro para a Revolução Francesa, ele influencia a criação do Estado. Começa a negar certas relações como a do Direito do mais forte, o que chamamos de "lei do mais forte", dizendo que a força nada tem a ver com o direito. Não obedecemos à força por dever, e sim por conveniência ou sensatez, mas logo que o "mais forte" não possuir tanta força, o que antes estava submetido, vai dessa vez submeter o outro à sua força, ou seja, quando acabar a necessidade ou conveniência, ou até o medo, a obediência acaba e a desordem toma conta.