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terça-feira, 21 de julho de 2015

Opinião e direito

     Um dos grandes problemas que envolvem as pessoas e suas relações atuais giram em torno do que muitos chamam de "opinião";

     Muitos chamarem de opinião não significa que isso é uma opinião de fato.

     Outro dos grandes problemas gira em torno do que chamam de "direito".

     Novamente, chamar de "direito" e reivindicar um aspecto legal para tal elemento não o faz de fato um "direito".

     Eu posso chamar você de sapo, coelho, sapoelho. Posso inventar o que eu quiser, mas mentir pra si mesmo é algo realmente triste. Isso não vai fazer de você um sapo, nem um coelho.

    As pessoas,  com o advento da sociedade pós moderna, da internet e das redes sociais, parecem compelidas a terem uma opinião, mesmo quando não possuem.

     Se você está cercado por uma cultura que despeja opinião através de imagens e postagens contundentes o tempo todo, e não possui uma opinião formada, o que deveria fazer? Os mais espertos e apressados diriam: buscar informação; buscar embasamento teórico para entender do que se trata toda a discussão, ou o cenário em questão. Parece óbvio, mas a resposta parece ter se tornado outra:"Se não tenho uma opinião formada, eu escolho uma que mais me agrade e afirmo ela com muita convicção." Parece que é isso que anda acontecendo. 

      Outro problema, no tocante a opinião, é que esse termo começou a servir como manto, para cobrir preconceito e ódio dos mais variados tipos. Como, felizmente, tornou-se feio ser uma pessoa preconceituosa, as pessoas não podem se auto afirmar como preconceituosas, e escondem esse preconceito atrás de suas "opiniões". Atitudes como apoiar figuras machistas, fascistas, homofóbicas, passou a ser opinião. Jair Bolsonaro é um exemplo. O ídolo dos cabeça ocas. O chamado "Bolsomito". Sério? Bolsomito? Só pode ser um mito mesmo pra ser tão irracional.

     Eu imagino que seria mais fácil lutar contra o preconceito se as pessoas parassem de frescura e afirmassem de uma vez: "sim, eu não gosto de preto, pobre, gay...". Mas o que temos é algo do tipo: "Não tenho nada contra negros, mas faço piadas racistas o tempo todo. É só uma brincadeira; nada contra os pobres, só não ajudo eles e tenho raiva de políticas públicas que ajudem, afinal, pobre tem que continuar pobre. Não da pra ajudar vagabundo; nada contra gays, contanto que não sejam gays perto de minha pessoa. Até conheço uns gays que nem parecem gays." Sério... Essas pessoas realmente acreditam que não possuem preconceitos?

     Ligado a isso também noto um problema quando fala-se em direito. O negro, historicamente, lutou por direitos iguais, para ser tratado como gente normal, por não ser chicoteado, por liberdade, por frequentar os mesmos espaços, para se casar com quem quisesse, daí vem o escravista e diz (com as mãos para o alto, cheio de ódio): "eu tenho direito de ser contra a liberdade dos negros e contra eles.". Não amigo, tu não tem direito contra o direito de liberdade e felicidade dos outros. Isso é canalhice, direito é outra coisa.

     O homossexual lutou e ainda luta por direitos iguais, para ser tratado como gente normal, para não ser agredido na rua, por liberdade, por frequentar os mesmos espaços, aí vem o homofóbico (com as mãos na cabeça, indignado) e diz: "é meu direito de não apoiar, de ser contra.". Não amigo, você é preconceituoso por demais. Não existe esse direito contra o direito de liberdade e felicidade dos outros.

     Veja bem, estamos falando de ser humano. Qual é a dificuldade da nossa espécie em aceitar outros da própria espécie? O ser humano não é o supremo ser racional? Que racionalidade é essa? Cara, para de tentar reivindicar um direito de ser contra as pessoas. Essa tua suposta "opinião", bem como o tal do "direito" que tu acha que tem, oprime, exclui e mata. Todos os dias.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Contrato Social: Da Escravidão

       Dessa vez Rousseau afirma que "já que nenhum homem tem uma autoridade natural sobre o seu semelhante e já que a força não produz nenhum direito" só as convenções feitas por nós mesmos estabelecem autoridade legítima entre os homens.
       Pois a escravidão não é uma convenção? Sim, mas ela estabelece autoridade legítima? Não. O escravizado está apenas alienado ao senhor, e não é por vontade própria. Que direitos o escravo tem? Quem gostaria de ceder todos seus direitos? Apenas um homem louco se alienaria a outro. Então Rousseau afirma: "a loucura não constitui direito".
       Também é questionado o estado de guerra de um governo. Não seria legítimo em tempos de guerra fazer escravos? Na verdade, a guerra põe os homens como inimigos, mas eles só são inimigos por acidente. Não como homens, e sim como soldados. Então o Estado não pode ter como inimigo outros homens, e sim só outro estado, pois "coisas de naturezas diversas" não podem ter relações de poder legítimas entre elas. A escravidão não é legítima. As Américas vão levar um tempo para descobrir isso.

O Contrato Social: Do direito do mais forte

"O mais forte nunca é  bastante forte
para ser sempre o senhor
se não transformar sua força em direito
e a obediência em dever"
                                                                                          
 (Rousseau)


                   Rousseau é genial ao destruir a teoria do "direito do mais forte". Nesse escrito que foi derradeiro para a Revolução Francesa, ele influencia a criação do Estado. Começa a negar certas relações como a do Direito do mais forte, o que chamamos de "lei do mais forte", dizendo que a força nada tem a ver com o direito. Não obedecemos à força por dever, e sim por conveniência ou sensatez, mas logo que o "mais forte" não possuir tanta força, o que antes estava submetido, vai dessa vez submeter o outro à sua força, ou seja, quando acabar a necessidade ou conveniência, ou até o medo, a obediência acaba e a desordem toma conta.