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terça-feira, 24 de abril de 2012

SEXTO ERRO do BRASIL no PROCESSO MODERNIZADOR

SEXTO ERRO: ÊNFASE NAS EXPORTAÇÕES EM LUGAR DA CONSTRUÇÃO DE UM MERCADO INTERNO

Caracterização do erro: A engenharia das exportações.

Em vez de mudar a economia, reorganizando o setor agrícola para o mercado interno, dinamizando a indústria e utilizando de técnicas disponíveis, optou-se pela exportação para compensar a falta de demanda interna e pagamento das dívidas externas.
A crise financeira brasileira não é resultado de erros técnicos dos economistas, e sim de seus acertos, visando os objetivos errados. O exemplo disso é a ênfase nas exportações. O erro encontra-se nos objetivos desejados. O Brasil passa de pequeno exportador agrícola, para grande exportador industrial e isso não decorreu de excedentes disponíveis para exportação e sim de um equívoco bem sucedido. Se tornou grande exportador de alimentos, mas agravou os problemas sociais internos. Deu-se como grande exportador de produtos industrial, mas às custas de sacrifícios fiscais, política inflacionaria, em detrimento do setor social.
Escolhendo a exportação como futuro econômico, não foi levada em conta a realidade brasileira. Baseou-se em países exportadores com um longo histórico dessa atividade, que exportam o excedente após alimentarem sua população, porém não teve relação com a diferente realidade social do Brasil. Um exemplo disso é a exportação de frutas no sertão nordestino, em meio a uma imensidão de cidadãos com fome. Há preocupação em incentivar os exportadores antes no lugar de alimentar o povo.
Criou-se um eficiente sistema científico tecnológico para o setor agrícola para aumentar a produção (destinada ao exterior) sem um compromisso ético com as necessidades do país. Toda essa insistência na exportação, também tem um pé no passado do Brasil colônia. Sempre sendo visto como um meio positivo, o sistema de exportação torna-se obsessivo.
Como consequências, há novamente a inflação, o agravamento da fome e a ampliação do desemprego, resultando em mais empobrecimento.

QUINTO ERRO do BRASIL no PROCESSO MODERNIZADOR

QUINTO ERRO : ENDIVIDAMENTO

Caracterização do erro: a arquitetura da dívida.

Em vez de ajustar a velocidade do crescimento ao capital disponível, a sociedade comprometeu o futuro com base no endividamento desmesurado, porém o necessário para manter o ritmo escolhido. Em função de complementar os recursos insuficientes para o crescimento econômico, o regime de 64 preferiu o endividamento crescente, em vez de reorientar esse crescimento.
Na política cambial tivemos o problema de quando governo assumia o custo da desvalorização do cruzeiro, frente a possibilidade dos bancos externos oferecerem melhores condições de financiamento.  O Banco Central também possibilitava e facilitava a tomada de empréstimos e o ingresso de capital no país. O dinheiro internacional entrava fácil no Brasil, que caía na tentação do empréstimo para investir no modelo equivocado de modernização. Para justificar esse imenso fluxo de capital, foram criados diversos projetos fantasmas.
Enfim, as décadas de 70 e 80, são também caracterizadas pela relação entre os bancos e o governo. O autor coloca essa situação como um “casamento incestuoso”, o que explicava a realidade financeira brasileira. A corrupção passou a ser uma das causas lógicas do endividamento crescente. “A caixa-preta do Banco Central e dos demais bancos estatais é apenas o reflexo da impossibilidade de separar no Brasil as contas dos bancos das contas do governo”.
A dívida com base em investimentos improdutivos não criou condições para seu pagamento. Na verdade ao crescer ela conseguiu uma dinâmica para crescer mais ainda. O entrave externo se dá a partir da redução na taxa de crescimento, empobrecimento, impossibilidade de importações e freio na infraestrutura.
O banco, na medida em que trata de administras a divida, obrigado a manter as altas as taxas e cobrir com a moeda local o saldo da balança comercial, acaba se tornando um dos principais agentes inflacionários. Com isso temos o aumento desenfreado da pobreza e uma desmoralização social, como qualquer devedor inadimplente.